sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pó de pirlimpimpim

É incrível o que uma criança faz na vida de gente, né? Além de nos transformar em mães, filhos nos fazem acreditar em fadas, poções mágicas, pó de pirlimpimpim, criaturas encantadas e, apesar disso, nos dão choques de realidade a cada instante, nos ajudando a resignificar pequenas grandes coisas do dia a dia.

Desde o fim de semana, Olívia e Helena têm estado com sintomas clássicos de resfriado: nariz escorrendo durante o dia e entupido de noite. Com os pés nas costas e muito remorso no coração, automaticamente pegamos a latinha de soro fisiológico em jato contínuo e o aspirador nasal. É um mal necessário!

Ontem, as duas jantaram, tomaram banho e mamaram normalmente, com um pouco de choro de cansaço, mas ok. Na hora de colocar Olívia na cama, senti que estava um pouco quente. Como já estava dormindo, deixei. Às 23h10, eis que um choro irrompe do quarto. Era ela, com febre alta. Bem, era 38 graus, mas como não estamos, nem elas nem nós, acostumadas a doenças, aos meus olhos ela ardia.

A noite foi longa. Acordou cedo, mamou metade da mamadeira, quis brincar mas não conseguiu e, de manhã até a tarde, não dormiu nem um segundo. Também não comeu, só chorou. Chorou, fez manha. Chorou mais. E mais. E teve febre. Juntei as coisas e fomos ao hospital. Descrevemos seu estado à médica da emergência. Ela, um pouco reticente, disse que devia ser a congestão nasal a causadora do mal estar. Insistimos na garganta. Dito e feito: foi abrir a boca da criança e declarar “nossa, mas tá muito inflamada!”.

Olivia é o bebê mais alegre que já conheci, mas hoje realmente seu humor é para poucos. Ela só quer colo e chorar olhando nos nossos olhos. Depois de constatada a infecção, Olivia nos mirou como quem pergunta o que passa.

Juliana, com voz maternal e tranquilizadora, respondeu: “pronto, a gente já sabe o que é. Agora é só tratar e ficar boa”. Provavelmente, seu ainda incipiente português não a deixa compreender cada palavra. Mas o tom de voz e as circunstâncias a convenceram de que tudo estaria bem, apesar de ruim naquela hora. Entramos no táxi e ela, na maior segurança do mundo, dormiu no meu colo, aliviada.


aDaí, você para e pensa que, a cada novo problema com o qual esbarramos pela vida adulta afora, o segredo continua sendo saber o que é, tratar e esperar passar.

terça-feira, 3 de maio de 2016

um clique

Semanalmente eu assisto ao programa “Compulsão”, do canal GNT. Tô viciada. Brincadeira. rs É bom, é bem dirigido e vem depois de “Histórias de Adoção”, que também assisto sempre. Mas o que me prende mesmo é que há sempre uma identificação enorme com cada personagem, seja este envolvido com álcool, drogas, compras, jogos.

Desde que parei de beber e de fumar cigarros, há 3 anos, já tive fases: luto, dor, abstinência, saudade, nojo, raiva, tudo isso em loop. Só não tive um sentimento, desde então: o de que, algum dia, mais cedo ou mais tarde, eu iria voltar aos velhos hábitos. Eu me pergunto por que. E me respondo: a qualidade hoje – qualidade do todo – não se paga, não se vende, não se rende.

Eu comecei a beber com 12 anos. E comecei a fumar com a mesma idade. Até hoje não sei o que veio primeiro, mas sei de uma coisa: os dois, o álcool e o cigarro, sempre foram objetos de desejo na minha vida. Na verdade, há um terceiro elemento: o sexo. E, para os três, eu sempre me impus que deveria, apesar de toda curiosidade latente, esperar por uma idade decente para início de consumo. Bem, julguei, ao álcool e à bebida, suficiente os 12. Por vezes me dói lembrar que eu nem ao menos havia menstruado nessa época. Sexo foi relativamente cedo também, mas só aos 15.

O que aconteceu dos meus 12 até meus quase 29 anos foi uma sucessão de erros, de cenas lastimáveis, de porres homéricos, de perda da inocência, de envolvimento precoce com mundos para os quais eu ainda não estava exatamente preparada, de revolta interna calada, de dor velada. Foi tudo isso? Sim. Foi somente isso? Não. Absolutamente não. O que aconteceu nesse intervalo de 17 anos foi, única e somente, a minha vida. O meu crescimento, as minhas descobertas, minha formação de caráter, minhas conquistas, meus anseios, meu amores, minhas emoções.

Volta e meia, me pego relatando à minha mulher, também abstêmia há 6 anos, episódios de bebedeira. Ela, que também tem problemas com álcool, se horroriza. O mais curioso é que me soam tão naturais, me veem com tanta nitidez à memória, que parte da minha surpresa vem da surpresa de quem me ouve.

Dia desses, estávamos numa festa e tocou “Kiss me”, essa música lindinha do Sixpence None The Richer. E eu me lembrei da vez que eu e minha amiga de infância e vizinha fomos parar numa festa no morro que ladeava nosso bairro. Como chegamos lá, acho que me lembro: provavelmente com os pais ou o tio dela, que era o primeiro na linha sucessória do Presidente (da Boca de Fumo), um amigo íntimo da família. A questão é que começamos a beber vinho roxo e certamente pedimos para ficar mais um tempo. No que fomos atendidas. Eu devia ter uns 13 ou 14 anos na época.

Nesse dia, eu fui chamada a atenção pela Cacá. Abre parênteses: Cacá é dessas pessoas de muito coração e pouca estrutura para emoções. Sempre fomos grudadas. E ela muito dependente de mim. Fecha parênteses. Bem, nesse dia, foi ela quem me avisou que alguns moradores do morro não estavam gostando muito da minha performance na quadra de areia. Eu dançava a música “NumberOne”, da Alexia, marcando o chão com meus pés. E comecei, por euforia do álcool, a repetir muito aquele movimento, um semicírculo em passos para trás. Se eu fosse confiar na minha memória, diria que permaneci assim por meia hora. Mas deve ter sido por 4 minutos, tempo suficiente para provocar muitos olhares.

*Ui, acabo de lembrar que comi angu com sarapatel também. Deixa pra lá!*

No fim da festa, descemos para casa, de carro, de carona com alguém. E no rádio tocava a tal “Kiss me”. E eu cantava “so fuuuck me” e morria de rir e chamava a atenção de Cacá pra que visse a grande sacada que eu estava tendo com o trocadilho. Fui repreendida. Senti medo, lembro. Me senti exposta e tive vergonha.

Cheguei em casa e pluft. Só me lembro do banheiro social, que era revestido por azulejo marrom escuro, todo azul no entorno do vaso sanitário, e o cheiro insuportável de azedo. Era a mistura do meu vômito roxo com a coloração belíssima do chão. Ainda de madrugada, ou pela manhã, bem cedo (sempre sofri de euforia alcoólica), limpei tudo. Não sei se alguém percebeu. Até hoje.

Daí, no dia seguinte a este relato feito à minha mulher, eu voltava da farmácia e desenvolvia um pensamento, talvez o gatilho deste texto. Era uma simulação de conversa entre nós. Uma conversa real já iniciada, noutro dia, mas não finalizada. Assistindo ao programa da GNT, certa vez, eu disse que achava que não teria problema em tomar uma cerveja um dia, mas que a opção não se aplicava ao cigarro, vício que considero bem mais agressivo.

Ela, em tom de surpresa e certa revolta, perguntou: “ah, então você acha que não tem problema com álcool??”. Eu disse que sim, tenho, claro. Mas que minha compulsão não tendia ao exagero de consumo. Até me levava a isso, sim, mas que não era esse o mote. Mas do papel que a bebida exercera na minha vida: tão estrutural quanto a minha própria vida.

Quis dizer que meu alcoolismo é perigoso porque ele tem a minha idade. Crescemos juntos. Descobrimos o mundo juntos. Estivemos juntos quando precisamos tomar grandes decisões e sentir grandes dores e pungentes amores. Escrevemos juntos. Nos amamos, nos ferramos. Nos ludibriamos mutuamente. Éramos apaixonados. Daqueles pares que se matam mas não se separam: se perdoam porque se conhecem.

Como separar duas vidas? O álcool era o outro. Na verdade, ele era eu. Um eu com álcool. Um eu com coragem, personalidade. A Roberta não havia, não se via quase nunca. A Roberta era sem graça, não tinha cor. A Roberta era antissocial, gostava de casa, não gostava muito de si, se achava feia, gorda, fora de contexto. Quem respondia pela Roberta era a personalidade alcoólica que se desenvolvera ao longo de anos.

Era essa mesma personalidade a que se destruía com prazer de um cigarro. De vários. Sim, com cigarro não havia limites. Era mesma que traía as namoradas. Que ia dormir amando alguém, acordava sentido um clique na cabeça que a desconectava do coração e precisava, então, na sequência, terminar aquele namoro, que, não, nunca havia dado certo – e “era tão evidente que não temos nada a ver!!”.

Não havia certeza. Aliás, eu não tinha certeza das minhas certezas. Não podia confiar em mim mesma. Nem na memória, nem no compromisso com a realidade, nem no futuro, nem nas minhas reações e nem podia predizer, tinha pavor!, o que iria fazer no fim de semana. Nítida a insegurança? Triste.

Hoje eu olho e vejo tristeza no meu passado, mesmo que eu seja leonina e não goste de admitir que sinto tristeza e me penalizo por mim. Por tantos anos de submissão a um elemento externo que tentava preencher algo interno que andava perdido. Era um jeito de escapar do compromisso de ser.

Tenho quase 32 anos, duas filhas e um casamento batalhado dia a dia, como deve ser. Tenho uma mãe, uma irmã, e tento manter nossas relações, na medida do possível, em dia. Não tenho mais culpa em achar que não estou performando bem como filha ou como mulher ou como irmã, vez ou outra. Agora eu sei que eu sou humana e que erro bastante. Não preciso me vender. Não preciso ter dinheiro pra comprar. Não quero estar ou me sentir por um fio de nada.

Essa frase: talvez o meu grande estalo na vida, aquele que motivou essa segurança quanto ao risco de recaída, tenha sido uma frase que Juliana me disse logo que nos conhecemos e já discutíamos. Sempre me refiro a este dia, porque, nem ela sabe, o quão importante foi. Ela disse: “Eu não te amo por um fio. Eu te amo porque você é você”. E foi como se caísse um jarro de água fria, seguido de um “acorda, moça” bem sonoro, na minha testa num dia de calor. Foi um alívio instantâneo. Foi – arrisco dizer – deus, tal qual existir no coração e na alma de cada um, me dando uma nova vida. Foi meu reencontro comigo, com a Roberta adolescente que tentava morrer aos poucos sem ser notada, mas que precisava de ajuda e amparo.

Não digo que meu passado, meus amores, minhas paixões, minhas solidões, meus risos, foram todos mentira. Jamais. Eles foram ilusórios, de certa forma. Eles foram performáticos. Eles buscavam redenção, aprovação e inclusão. É clichê, é jargão, mas é verdade: nada vale mais do que a consciência tranquila de quem não deve sentimento a ninguém, muito menos a si próprio.




*me perdoem o texto jogadão, mas ele veio assim, inteiro, nessa ordem, e precisou sair às pressas. 

terça-feira, 19 de abril de 2016

vamos de neruda

amor,

não deixe que a mítica política
transforme seu dia numa poesia raquítica
há mais o que viver
e – acredite – menos o que possamos fazer

a luta é diária e sempre será
a felicidade é aqui e por ela vale lutar
não se contamine, se ilumine
se nos ajuda, vamos de Neruda:

“se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida”

quarta-feira, 23 de março de 2016

A mamãe quer cuidar bem de você

Essa foi a última frase que eu disse hoje, enquanto colocava uma das gêmeas para dormir. O trecho faz parte de uma conversa quase diária que tenho com as minhas filhas, desde que nos mudamos e suas camas passaram a ser no chão, onde geralmente nos deitamos juntas.

Poucos sabem, mas a hora de dormir aqui em casa pode ser um suplício. Eu sei que em outros casos, com crianças maiores, a operação chega a durar uma, duas horas. Acontece que minhas pequenas ainda não completaram 10 meses e eu já demonstro, por vezes, tanta falta de paciência.

Toda mãe passa por isso, eu acho. Mas sempre achei também que eu não passaria. Sempre confiei na minha pedagogia de nascença. Sempre me achei uma pessoa paciente e muito bem humorada diante das intempéries, principalmente infantis.

Mas não: quebrei a cara. A cada noite em que dormir se tornar tarefa árdua, como hoje, me sinto frustrada, desamparada, desequilibrada, péssima mãe, do tipo que a Supernanny repreende do início ao fim do programa.

Sabendo que o sono é quem esta no comando daquele pequeno ser que teima em não admitir o corpo inerte na cama, às vezes, eu insisto em mantê-lo na horizontal, na tentativa de fazer com que entenda que todos seus incômodos serão sanados com a chegada aconchegante do soninho. Por isso, às vezes, também acabo me excedendo na insistência e, com a falta de paciência e o cansaço de um dia inteiro que já dura 9 meses, na força com quem tento dominar aquele corpinho de nem 8kg. É saculejo, pega daqui, resgata de lá, ajeita acolá, que nem sei. Resultado: neném estressado, mãe mais ainda.

É nessa hora que o choro vem. Vem forte, silencioso, queimando por dentro pra não virar mais um motivo de distração pra menina, já tão desfocada do descanso. E vem por vários motivos: sem meias palavras, da raiva, da impotência, do descontrole, da covardia, do arrependimento e, por fim, da culpa de olhar praquela criança que só deseja ficar acordada, sentadinha na cama, mexendo em seus bichinhos por um tempo a mais daquele estipulado previamente por mim.


E então chega a hora da minha conversa sem som, ao pé do ouvido dela, que tem mania, desde que nasceu, de dormir mexendo na nossa mão. Entre pedidos de desculpas e para que deixe o sono chegar e até promessa de que vamos dormir agarradinhas essa noite, uma cabeçada do neném que ainda não encontrou a posição certa pra relaxar. Recomeço a prece. Ela vai cedendo e o sono, se instalando.

Daí o jogo se inverte. Ela fecha os olhos e parece não ligar mais pro que eu falo. Parece até querer que eu me cale. Eu, então, explico, agora com mais calma e carinho, que a mamãe fica cansada e que sabe que ela está com sono. Que agora não é mais hora de brincar, que a Liliva tá dormindo e não merece ser acordada. Que a mamãe tem 31 anos, mas que se sente adolescente em alguns momentos. E a mamãe fala isso olhando pro espelho fixado na parede. De fato, mamãe tem cara de adolescente e ela mesma demora a acreditar que tem duas filhas. Digo também que mamãe não quer mais brigar na hora de dormir e nem durante o dia: quer se entender com a neném.

Enfim, que "a mamãe quer cuidar bem de você".

Meu coração de mãe que encontra sinais em todos os gestos, jeitos e sons, me faz acreditar que minhas confissões foram ouvidas quando, ao tentar me levantar, sua mãozinha segura forte a minha, como quem diz "vamos ficar bem".

E segue o jogo. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

3 carnavais

Estamos agora, aqui, eu e você. Eu, à beira de uma TPM, comendo chocolate como se não houvesse amanhã; você, imagine se não estaria, oras!, dormindo, claro. Antes de pegar o computador e começar a esboçar essas letras, fui à cozinha e, na volta, como de praxe, abri a porta do quarto das nossas filhas... MEU DEUS! Eu disse “nossas filhas”?? Acho que sim. Peraí, deixa eu voltar essa fita: “quarto das nossas fi...”. Caramba, é verdade, nós temos filhas!!

Eu me pergunto, quase sempre, como assim o mundo é hoje como é se há três anos eu dele nada sabia e ele, coitado, tampouco me conhecia!? E eu mesma me respondo que não sei, que só sei que foi assim. E assim é e assim será: eu, você, nossas filhas, nossa família, nossa casa, nossas alegrias, nosso amor, nossas brigas, nossos acertos e ajustes, nossos dias brilhantes e, por vezes, enevoados. Mas, acima de tudo e mais importante: nosso encontro.

Aquele momento, exato segundo, que te vi chegando, e soube, tive certeza, que, na estrada imaginária da vida, era como se eu estivesse dirigindo numa via pela primeira vez, sem ver placas, sem reconhecer arredores, sem bússola, celular ou GPS, e visse, de repente, surgir à frente um letreiro luminoso dizendo: “vem, que é por aqui”. E, então, as janelas se abrissem e, do lado de fora, num vilarejo amigável, saíssem de suas casas rostos familiares que me olhassem como se já me conhecessem e aguardassem pro almoço, esbanjando um largo sorriso traduzível em um “pode entrar". E eu pensasse: “Putz, cheguei!”, mesmo sem saber para onde estava indo.

Pois foi justamente essa a sensação eterna e irrevogável, fresca e assertiva, que, há exatos três anos, você trouxe aos meus dias: muito mais do que amor, carinho, tempo, cuidados, confiança, verdades, naturalidade, você me deu uma família – e todos os seus significados e suas possibilidades.

Olívia e Helena são pessoas incríveis, filhas biológicas suas e vidológicas minhas. Criei esse termo para definir a relação que temos, eu e elas, que sempre existiram no meu imaginário, nos meus sonhos acordada, no meu coração. O que eu não sabia era que tê-las no dia a dia, de verdade, em carne, osso, alma, emoções, seria tão mais maravilhoso do que algum dia eu possa ter imaginado. E digo isso porque, com certeza, a maravilhosidade da existência delas é por serem, desde sempre, um sonho conjunto, realizado passo a passo, minuto a minuto, lágrima a lágrima, alegria a alegria. Dividir todas as glórias, aflições, dúvidas, certezas, erros e acertos da maternidade com você faz ser assim.

E, por isso e por muito, muito, muito mais, eu só posso te agradecer e agradecer à vida (ou a quem quer que, lá de cima, esteja movendo nossos pinos neste louco tabuleiro) por ter te encontrado. Parafraseando a mim mesma, acho que eu andava “tão à procura de mim que encontrei você”.

Contrariando a vontade que tenho de seguir falando sobre nossa vida, sobre você, sobre mim com você, sobre o que imagino pra nós e sobre como pretendo ser surpreendida em minhas expectativas pelo que definirem o acaso e o desenrolar natural da vida, essa carta vai chegando ao fim.

Que hoje, dia dois de fevereiro, dia de Iemanjá, a comemoração do nosso terceiro ano de conhecimento sele a união, aumente ainda mais o companheirismo, fortaleça as estruturas, ilumine os passos e sejam os primeiros de todos os outros.

Com todo o meu amor, minha admiração e perplexidade, para você, mulher dos meus sonhos, dos meus dias, da minha vida. Casa comigo hoje, de novo e sempre.

sábado, 19 de setembro de 2015

Contraluz

Você dorme e eu te olho. Com calma, longe da correria que têm sido nossos dias, reparo nos seus detalhes: o desenho irregular que alguns fios soltos de cabelo fazem contra a luz, a cabeça relaxada vencida pelo cansaço, a jugular traduzindo o ritmo do coração, as micromarcas na pele que se constroem todos os dias. Ao mesmo tempo em que te olho, ouço o ressonar das nossas filhas, que dormem tranquilas a centímetros dos nossos corpos, na certeza de que estão seguras e sendo amadas. Volto a te olhar e, então, sinto a admiração por você ter trazido elas ao mundo até nós. Admiração pela sua natureza. Admiração pela sua coragem. Admiração pela sua força, por seu instinto, por seu amor, pela sua feminilidade. Ainda penso em surrealismo ao lembrar que Olívia e Helena foram feitas dentro do seu corpo - levo um susto a cada vez que faço a mesma constatação e me encanto um pouco mais de nós. Nós 4, nossa família.

Por isso e muito mais, obrigada, meu amor: elas são maravilhosas! 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

sonho acordado


Te amo todos os dias
Amo o dia todo
E amo ainda mais
Porque, enquanto você dorme, eu sonho

Te olho e os desenho em pensamento
Obrigada por acordar e fazer deles nossa realidade